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Custos com Transparência e Qualidade

Encontro internacional reuniu especialistas em Engenharia de custos
Cobrou mais lisura e controle na formação do preço de obras

O 3º Encontro Anual da AACE Brasil (Associação Americana para o Desenvolvimento da Engenharia de Custos/Brasil) e o 2º Seminário sobre a Formação dos Preços de Obras no Espaço Cultural Ciragran, em São Paulo, reuniu um grupo de 120 engenheiros, gestores públicos, auditores e fiscais de diversas cidades do País. A maioria saiu convencida de que é necessário levar a nível máximo de qualidade e transparência os processos de formação de preços, para benefício de toda a sociedade, dando sentido à contratação, controle, acompanhamento e avaliação do custo de obras.

Com curadoria técnica dos consultores especializados Luiz Raymundo Freire de Carvalho e Mário Sérgio Pini, o evento foi dividido em duas partes: no primeiro dia foram apresentadas palestras nacionais e internacionais. No dia seguinte, foi a vez de autores do livro “Pareceres de Engenharia sobre processos de formação de preços de obras”, a ser lançado no mês que vem pela Editora Pini, seguido de debate com a plateia.

Destaque para a palestra da norte-americana Julie Owen, gerente sênior de Controle de Projeto da Agência Metropolitana de Transportes de Los Angeles (EUA). No final de sua exposição, deixou algumas lições para a plateia: “É importante implementar controles de projeto autônomo de relatórios; estabelecer entendimento comum para as expectativas; obter pessoal adequado; identificar metas tangíveis e métricas; fornecer produtos e serviços visíveis; e atualizações frequentes para os executivos”.

A romena Anamaria Popescu, diretora de Soluções Construtivas da FTI Consultoria, analisou uma série de questões que envolvem a extensão de prazos dos contratos de grandes obras. Explicou, por exemplo, diversos mecanismos sobre caminhos críticos de cronogramas, documentação, melhoria na confecção das programações, identificação precoce de eventos, registros detalhados, entre outros. “É normal ocorrerem mudanças no caminho crítico. Por isso, temos que fazer atualizações rápidas e constantes”, concluiu a palestrante.

O engenheiro Giovani Castro, gerente de projetos da Klabin, foi um dos mais críticos ao abordar o tema “Aumento de Eficiência com o uso de Cronogramas Estruturados”. Demonstrando muito conhecimento do tema, foi direto e enfático ao criticar a qualidade dos cronogramas de obras feitos no País: “Os cronogramas, em geral, têm um nível de qualidade muito baixo”, frisou, acrescentando que não existe uma diretriz única de processo. “Cada um faz de um jeito …”.

O consultor Luiz Gonzaga Gadelha, um dos autores do livro “Pareceres de Engenharia”, concordou com as críticas, mas ressaltou que os cronogramas são feitos em cima de projetos ruins. “Enquanto não mudar a capacidade de representação dos projetos, os cronogramas vão continuar mal feitos, inclusive o meu”, admitiu, arrancando risadas da plateia.

Giovani Castro argumentou que o cronograma é apenas uma ferramenta que serve para informar “alertas” para que a obra possa ser entregue no prazo planejado. Na prática, explicou que é preciso ter ferramentas, processos e métricas para análise de um cronograma. “Quando você aplica esses meios, você tem maior probabilidade de entregar a obra sem dilatação de prazo”, frisou.

Destaque final para as palestras da gerente de Padronização e Normas Técnicas da Caixa Econômica Federal, Tatiana de Oliveira, sobre o aprimoramento do SINAPI; Rafael Monteiro, da Deloitte Consultoria, sobre a Aplicação de processos estocásticos para projeção do avanço físico do projeto; do professor Ítalo Coutinho, fundador do portal PMKB (Project Management Base of Knowledge), que mostrou como os recursos logísticos precificados inadequadamente estouram o orçamento de uma obra; além de Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, da POLI USP, sobre o projeto do canteiros de obras e respectiva inclusão na formação do preço; e o Eng. Roberto Salles, sobre o imperativo do projeto, como ponto de partida para o sucesso de um empreendimento. O evento possibilitou ainda uma visita técnica nas obras do Metrô de São Paulo, a convite da Construtora Andrade Gutierrez.

O presidente da AACE Brasil, engenheiro Aldo Mattos, comentou que as palestras abordaram temas práticos, atuais, e serviram para demonstrar que o Brasil está avançando, tanto na questão de conteúdo de boas práticas, como na demanda crescente e permanente por atualização.

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